terça-feira, 4 de maio de 2010

Autochoque: quem manda em quem?

Domingo assisti à peça AUTOCHOQUE: TRILHA SONORA PARA ACIDENTES. Surreal, e ao mesmo tempo, muito real. Não era nada convencional, não era uma peça linear, com início, meio e fim bem definidos. O ambiente onde o espetáculo foi apresentado já tinha a ver com o clima: um galpão, ou seja, nada de palco tradicional. O cenário, maravilhoso: pedaços de carros pendurados e dispostos em harmonia pelo chão. Só que a harmonia parava por aí, pois o que o espetáculo mostrou foi o caos.
Como espetáculo multimídia, o grupo utilizou-se de diversos recursos para mostrar a sua ideia: a música, o vídeo, o canto, a trilha sonora executada ao vivo. A trilha sonora era maravilhosa: uma guitarra, uma percussão com bumbo e um tonel (o percussionista era a alma da trilha sonora, era o melhor do grupo), um piano de brinquedo, um xilofone, e um baixo tão bem tocado como poucas vezes ouvi antes. Não havia texto, ações, diálogos: um vocalista/ator e uma vocalista/atriz entravam no palco, davam um texto (ou cantavam, dependendo do momento do espetáculo), e os vídeos associados à trilha sonora demonstravam as ideias.
E qual era a ideia do espetáculo? A ideia era a realidade: os veículos são os verdadeiros líderes da sociedade. Vivemos em função de veículos, assim como morremos em função de veículos. Os vídeos mostraram diversas cenas chocantes de acidentes em auto-estradas, cenas de teste de resistência de veículos em fábricas, detalhes de cicatrizes geradas por acidentes de trânsito e animais mortos pelas estradas após serem atropelados. É chocante ver como um carro, projetado para dar segurança a quem por ele é transportado, acaba-se em um acidente como se fosse um copo de plástico sendo amassado na mão (analogia que foi usada pelo grupo no espetáculo). Vários vídeos de testes de fábrica para verificar a resistência de veículos mostravam como os carros – e os passageiros – ficavam depois de uma colisão. Impressionante foi um vídeo de dois caminhões batendo dentro de um túnel, e um ônibus urbano capotando e rolando como se fosse um brinquedinho frágil. Em uma cena que mostrava a colisão de dois carros, era como se os dois estivessem entrando um no outro, tamanha a violência do choque. Estamos tão acostumados a ver e ouvir falar de acidentes, mas nunca paramos para pensar que os carros mandam nas pessoas. O caos existente nas grandes metrópoles ocorre devido a quê? Devido ao trânsito. As pessoas se matam nas estradas, por quê? Devido à falsa sensação de poder que um veículo traz. Ou você já parou para pensar que todo motorista acha que é um Schumacher ao volante? Quantas vezes ouvimos a frase “eu dirijo melhor quando estou bêbado”? A sensação de poder do álcool misturada à sensação de poder de um carro em alta velocidade é uma droga a mais no sangue, cuja overdose na maioria das vezes é fatal.
E a dependência das pessoas em relação aos seus veículos? O Dia Mundial Sem Carro, se alguém aí reparou, é uma campanha falida. Poucas pessoas – apenas os ecologicamente corretos – deixam seus carros em casa para aderir à campanha. Cansei de ouvir frases como “bem capaz que vou deixar meu carro em casa só para participar de uma campanha idiota como essa!”. Ok. Mas essas pessoas esquecem que existem outros meios de se locomover pela cidade...
E você, já parou para pensar se é você que comanda seu carro ou seu carro que comanda você?





Nota: a temporada de Autochoque: trilha sonora para acidentes encerrou no domingo, e infelizmente o grupo não planeja realizar nova temporada.
Fica o endereço do blog do grupo Ío, responsável pelo maravilhoso espetáculo:
www.autochoque-io.blogspot.com

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Na minha época, as coisas eram tão diferentes...

“Na minha época, as coisas eram tão diferentes”. Frase de gente velha, né? É, pode parecer. Mas eu explico, pois descobri o significado dessa expressão. Quem me conhece sabe que sou extremamente ligada em música. E já faz muito tempo que sou assim.

Já repararam que as “modinhas” de cada estação são ligadas a música? Na minha época de adolescente, também era assim. Quando eu tinha 12 anos, surgiu a moda das boys bands: Five, NSync e as estrelas maiores: os Backstreet Boys. Também surgiram duas cantoras do estilo “quero ser Madonna”: Christina Aguilera e Britney Spears. Esses eram os “sucessos do momento” da época. E é a partir disso que digo, com certeza: na minha época, as coisas eram tão diferentes!
Todos esses artistas vieram de um lugar comum, reviveram modas do passado. Boys bands não eram exatamente uma novidade: o boom desse fenômeno deu-se nas décadas de 80 e 90, com Menudo e Take That. Quanto às cantoras, elas tentavam imitar o maior mito feminino da história do pop: Madonna.

Eram cópias baratas? Com certeza! Eram músicas pré-fabricadas? Sim, é claro. Eram “enlatados”? Sim! Porém, comparem esses artistas com as “modinhas” atuais. Pensem em Calypso, pensem no MC Creu e seus assemelhados, pensem nos grupinhos de pagode que se multiplicam por aí, pensem no Rebolation, pensem na Ivete e na Claudia Leitte. Pensem nos atuais representantes do pop: Wanessa (ex-Camargo), Hori, Strike, Avril Lavigne (ok, ela não é tão atual assim), emos em geral, sertanejos universitários e etceteras. O que há em comum entre as atuais modinhas e os artistas modinhas do passado? São todos artistas sem qualidade, são enlatados, são a cópia-da cópia-da cópia. São modinhas passageiras, que vão cair na vala comum após algum tempo.

E a diferença? Há diferença entre todos eles? Sim. A diferença é que as boy bands e as pseudo-cantorinhas-pop tinham mais preocupação em criar elementos de qualidade. Tinham a preocupação com a performance. Alguém aí vai negar que as coreografias dos Backstreet Boys eram muito bem elaboradas? Ok, não eram elaboradas por eles, mas eles tinham uma equipe de produção muito competente por trás dos trabalhos. Alguém aí vai dizer que as músicas não soavam bem aos ouvidos – apesar de não terem qualidade?

E tem outro ponto a favor desses pseudo-ídolos pop: eu e milhares de meninas brasileiras, loucas pelas boy bands e pelas cantorinhas pop, traduzíamos as letras das músicas, na ânsia de saber o que os ídolos falavam. E na época não era só entrar na internet e puxar a tradução no Google, pois poucos tinham acesso à rede. As traduções eram feitas com o auxílio do DICIONÁRIO DE INGLÊS! Muitas noites passei em claro fazendo traduções de músicas! Bons tempos em que não havia Google Translate. Já fiz curso de inglês (embora não seja fluente no idioma), mas TODO o meu vocabulário de inglês vem dessa época! Artistas “’inúteis” e comuns, mas que proporcionaram conhecimento e diversão para muita gente. Não nego que fui muito fã desses artistas todos. E se ouço algo deles hoje, não acho ruim. Sei que não tem qualidade, e sabia desde os 12 anos que eles eram os artistas da moda e que cedo ou tarde sumiriam, mas essas músicas não soam ruins aos meus ouvidos.

Agora, vamos conversar sobre a nossa atualidade. Alguém vê “preocupação na performance” nas coreografias dos funks e Rebolations? É só balançar a bundinha e tá feita a história. Os pagodes, funks e outras modinhas soam bem no ouvido de pessoas que ENTENDEM de música? Com certeza não. Gostar disso tudo proporciona algum tipo de conhecimento? Além de aprender a rebolar, pagodear e memorizar letras como “no rebolation-tion-tion”, definitivamente não.
Os adolescentes da minha época gostavam de Britney Spears, Christina Aguilera,Backstreet Boys, Five, NSync, Hanson e Spice Girls. E os de hoje? Gostam de Fresno, Parangolé, Sorriso Maroto, Creu, Perlla, Calypso. Na minha época era tão diferente! Era. E era melhor. Mesmo nos artistas da “vala comum”, percebia-se uma preocupação com a produção. Hoje, principalmente no Brasil, qualquer resmungo vira sucesso. Não há preocupação com nada, pois todos sabem que os jovens são alienados e aceitarão qualquer porcaria que aparecer nas paradas de sucesso. Bons tempos que o mau gosto dos jovens era o pop enlatado. As paradas de sucesso encaminham-se para a mesmice e a - cada vez maior - falta de qualidade.

Ah... e bons tempos em que a expressão “modinha” era usada para designar as músicas de uma das melhores compositoras do Brasil: Chiquinha Gonzaga. Mas aí já é outra época e outros gostos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um pouco de Vinícius - com significados especiais...


"E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares,que apesar dos pesares,
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver,
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
Onde anda você?..."

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Orgulho, paixão e glória – há um mês, em Porto Alegre...




Hoje faz exatamente um mês que Porto Alegre recebeu o seu maior show. Metallica no Parque Condor, no dia 28 de janeiro de 2010, às 21h47min. Se eu tivesse que escolher duas palavras para resumir o show e a banda, essas palavras seriam PERFEIÇÃO e EMOÇÃO.

Perfeição porque tudo funciona muito bem no show e na existência do Metallica. Cada música foi tocada na hora certa, do jeito certo, com a comunicação certa entre músicos e platéia. Uma banda com 30 anos de estrada, que se mantém coesa apesar de tudo que seus integrantes já passaram, para mim não tem outro adjetivo que a defina além de “perfeita”. Sim, eles sobreviveram (como disse o Kirk recentemente em uma entrevista). Eles sobreviveram às drogas, ao álcool, às brigas, às reabilitações, às crises, à terapia em grupo na época das gravações do St. Anger, e justamente por terem sobrevivido ficaram melhores e mais fortes. Azar de quem não gosta do Load, do Reload ou do St. Anger, esses álbuns têm a sua importância e refletiram o que a banda vivia no momento. Duvido que muitas pessoas que os criticaram consigam fazer algo como “Cure”, “2 x 4”, “The Memory Remains” ou “Carpe Diem Baby”. Duvido que alguma pessoa que tenha criticado esses álbuns consiga transmitir o sentimento que o Lars transmite com a bateria a partir dos 03min50s de “Sweet Amber”. Perfeição é o que resume o trabalho do Metallica. Não existe nenhuma banda que os supere.

Emoção porque não é qualquer artista que consegue unir 30 mil pessoas cantando junto todas as músicas. Não é qualquer um que faz com que os fãs acampem no local do show e sintam frio, calor, fome ou cansaço (ou tudo isso junto) só para garantir o melhor lugar. Emoção porque não é qualquer artista que faz até os metaleiros mais “ortodoxos” e “machões” chorarem ao ponto de soluçar. Emoção porque outros artistas até conseguem fazer seus fãs chorarem, mas com suas baladas. O Metallica conseguiu fazer as pessoas se emocionarem com Creeping Death. Enquanto lembro de tudo isso, eu choro da mesma maneira como chorei no dia do show, é como se eu ainda estivesse lá, a cinco metros de distância da banda, realizando o sonho que eu tinha há 12 anos. Não é qualquer um que causa esse tipo de emoção. Só os muito bons conseguem isso.
Só uma banda como o Metallica faz com que seus fãs sintam orgulho e paixão. E vê-los de perto, muito mais do que a glória, é a realização de um sonho.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Comentários - documentário "A História das Coisas"




Leiam o comentário e procurem o documentário no YouTube.
O documentário é muito interessante, pois nos faz pensar em
todo o processo existente por trás dos produtos que consumimos
.



Quando compramos um produto, não paramos para pensar como ele foi feito, quem o fez, de que ele foi feito e muito menos para onde ele vai. Algumas poucas pessoas conscientes buscam entender o processo, da extração e produção até a venda, consumo e posterior descarte. Mas a pergunta que não quer calar é: será que se todos fossem conscientes do que acontece no processo de produção dos produtos que nos cercam, será que seria diferente? Será que o ato de consumir desenfreadamente - e muitas compulsivamente - diminuiria? Provavelmente não, pois a publicidade, com suas técnicas, nos faz ter certeza de que não somos bons o suficiente se não possuirmos este ou aquele produto. É deprimente, mas a realidade em que vivemos é essa.

Outro dado alarmante trazido pelo documentário é que os Estados Unidos tem 5% da população mundial, e mesmo assim consumem 25% de todos os recursos produzidos em nosso planeta. Isso nos leva a pensar no profundo egoísmo e falta de visão do ser humano. Quase todos os seres humanos destroem recursos naturais e produzem lixo (e o descartam em lugares inapropriados) e poluição sem pensar nos danos que isso trará ao futuro. Mas para algumas pessoas é difícil pensar que o panfleto jogado na rua hoje será um dos elementos causadores de uma enchente amanhã. “Não viverei para sempre”, dizem essas pessoas. Sim, mas os filhos, netos e bisnetos de quem agride a natureza estarão vivendo no planeta daqui a muitos anos. E aí, como fica? Em que espécie de planeta as gerações futuras viverão? Lembrando que os que jogam “um simples pedaço de papel no chão” são os mesmos que reclamam que o bairro em que moram “sempre alaga quando chove”...

Confesso que fiquei deprimida com o vídeo. É difícil pensar que muito do que compramos é proveniente de trabalho escravo e destruição de recursos naturais. E é mais difícil ainda pensar que denúncias como essa nunca chegarão ao grande público, pois o conteúdo desse vídeo não é do interesse dos poderosos que comandam nossos hábitos de consumo. Ao assistir o vídeo, lembrei de um fato ocorrido no último fim de semana. Costumo assistir o programa “Vida e Saúde” que passa na RBS todo sábado às 8h da manhã (sim, é um horário/dia muito complicado para sair cedo da cama, mas a maioria das matérias valem a pena). Na última edição do programa, foi veiculada uma matéria sobre a campanha mundial “Segunda Feira Sem Carne”, que chegou ao Brasil no final de 2009. Na minha opinião, é uma campanha muito importante (e não acho isso só porque sou vegetariana) que serve para conscientizar as pessoas de que o consumo de carne, além de fazer mal a saúde, destrói recursos naturais. É do conhecimento de todos que a pecuária contribui amplamente com o aquecimento global. Uma campanha dessa importância mereceria uma matéria em horário nobre na televisão, mas... quem é mesmo um dos patrocinadores do horário nobre da Globo? A Sadia. Uma empresa que vive da exploração animal (além da humana). Então, quem são os culpados mesmo pela falta de informação da maioria da povo?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Os meus melhores do ano

Eu prometi, não prometi? Então, aí está!
A minha umbigolist dos melhores do ano!

Divirtam-se e divulguem aos amiguinhos!


Melhor ator: Zé Mário Storino (descansa em paz., Zé!)

Melhor atriz: Sandra Dani

Filme bom que ninguém viu: A Orfã

Visita ilustre: AC/DC em São Paulo

Momento "eu queria ser esse cara!": o jornalista que jogou um sapato no Bush e realizou o sonho

de 3/4 da humanidade

Frase: "Vou tirar o povo da merda!"

Mico: Vanusa cantando o hino nacional suuuper-chapada ("num lugar do caralho...") e o Grêmio não se classificando pra nenhum campeonato decente.

Espetáculos:
La Pasion del Bailado - tango
O Avarento - teatro
Paulinho Pires - lançamento do cd "Navegador do Rio Esperança"

Notícia do ano: Metallica em Porto Alegre

"Foram cedo demais": Michael Jackson, Patrick Shawze e Zé Mário Storino

Artista mais financeiramente explorado: Michael Jackson. A quantidade de produtos que foi lançada em decorrência da morte dele não é brinquedo não!

Disco do ano - regional: Ao Relento (OQuinto) e Navegador do Rio Esperança (Paulinho Pires)

Disco do ano - nacional: Chiaroscuro (Pitty)

Disco do ano - internacional: The Resistance (Muse)

Frustração do ano: Rubens Barichello (se bem que ele foi a frustração dos últimos 10 anos...)

Minhas superdescobertas de 2009: OQuinto e Gogol Bordello

Movimento fail do ano: #ForaSarney

Merdas do ano que todo mundo vai esquecer: as mulheres-fruta

Deveriam ir embora mas ficaram: Lula, Monica Leal, Sarney e Yeda Crusius

Deveria ir embora e foi embora: Paulo Autuori

Iniciativa afudê do ano: I Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre

Homenagem bem lembrada mas que poderia ser mais comentada: 50 anos de teatro de Luiz Paulo Vasconcellos

Roubalheira vergonhosa: A temporada do Roberto Carlos em POA sem desconto pra estudante

Atriz revelação e bonita do ano: Larissa Maciel (ela mesma, a Maysa)

Ator revelação e LINDOMARAVILHOSO do ano: Matheus Solano

Piores atrizes da TV: Aline Moraes, Juliana Paes e Taís Araujo

Melhor atriz da TV: Lilia Cabral

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Descansa em paz, Zé Mario!



Eu não queria estar escrevendo sobre isso. Mas preciso. É tão bom botar pra fora o que nos deixa tristes...
O Zé Mario Storino se foi na segunda-feira, dia 16 de novembro.
Lendo blogs de conhecidos com posts relativos ao Zé Mario, percebi que todos têm histórias a contar sobre essa pessoa muito querida que nos deixou. Eu também tenho.
Fiz a bilheteria do espetáculo O AVARENTO, o último em que ele atuou. Ele foi o primeiro a puxar papo comigo. Mal me conhecia, mas já falava comigo como se me conhecesse há muito tempo. Mas não foi por isso que eu me tornei uma grande admiradora do Zé. Foi por uma coisa que ele fez durante a temporada dessa peça que me emocionou muito.



Numa das noites, apareceram três crianças, vindas de Osório, especialmente para ver a peça. Elas estavam na lista de convidados dele. No fim, fui ao acamarim falar com o pessoal, e ele me disse: "Nayane, vai lá na frente e traz aquelas crianças para cá, eu preciso dar uma atenção a eles". Fiz o que ele pediu, chamei os três e eles foram para o camarim. Ficaram um tempo ali, com o Zé dando toda a atenção possível a eles. Depois que eles foram embora, ele me disse: "Sabe, é a primeira vez que eles assistem a uma peça de teatro, eu não podia deixar de dar atenção a eles". Aquilo me comoveu muito, e ainda me comovo enquanto escrevo estas linhas. Fico comovida porque, em anos de convivência com pessoas que trabalham no mundo artístico, NUNCA presenciei uma cena dessas. Achei lindo, e levarei isso como exemplo para o resto dos meus dias.


No Orkut dele, essa foto aqui tem a seguinte legenda:
"Camaquã, RS, 2006. Quando eu morrer, é assim que eu quero ser lembrado."
Não precisa nem pedir, é assim que você será lembrado para sempre!



Zé, descansa em paz, e saiba que tu foi uma pessoa muito especial para todos que conviveram contigo!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Comunicação e Indústria Musical - resenha

Resenha apresentada para a disciplina de Seminário Avançado em Comunicação
Links dos artigos analisados:



Manguebit e novas estratégias de difusão diante da reestruturação da indústria
fonográfica
http://www.uff.br/ciberlegenda/gt2_marcelok.pdf

Indústria da Música – uma crise anunciada
http://www2.eptic.com.br/sgw/data/bib/artigos/d48719d6ab63ab38e89847f4ae8c2109.pdf





Os artigos escolhidos para análise foram Manguebit e novas estratégias de difusão diante da reestruturação da indústria fonográfica e Indústria da música: uma crise anunciada. O primeiro, que fala sobre estratégias de comunicação na música e analisa especificamente o caso do movimento denominado Manguebit foi escrito pelo Doutor em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Marcelo Kischinhevsky. Já o segundo, que relaciona a crise da indústria musical com a consolidação da internet como meio de comunicação foi redigido pelos Doutores em Comunicação e pesquisadores do Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação da Escola de Comunicação da UFRJ Micael Herschmann e Marcelo Kischinhevsky.
O artigo Manguebit e novas estratégias de difusão diante da reestruturação da indústria fonográfica, conforme justifica o autor, busca focalizar as mudanças nas estratégias de difusão artística ao longo da última década, tomando como exemplo os artistas do manguebit – movimento musical surgido em Recife, que utiliza a musicalidade da cultura local, como o baião e o maracatu, e mescla esses gêneros com o rock´n´roll e a música eletrônica - que tinha como expoentes as bandas Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.
O texto, em quase toda a sua extensão, é de fácil leitura e entendimento, e as questões levantadas pelo autor (que serão mostradas no decorrer da presente resenha) são pertinentes, pois com o advento das novas tecnologias os artistas devem recorrer a formas cada vez mais criativas de divulgação de seus trabalhos.
O autor inicia falando sobre estratégias comunicacionais comumente utilizadas por artistas, como a convocação de entrevistas coletivas, superproduções em torno de artistas e até mesmo o pagamento de propina a radialistas, o chamado “jabá”, e exemplifica comentando sobre a concorrida entrevista coletiva (no Rio de Janeiro) da banda Chico Science & Nação Zumbi, formada no início dos anos 90 e precursora do movimento manguebit no Recife.
Após essa breve exemplificação de estratégias mais usadas na divulgação de artistas, o autor fala da banda Mombojó, formada em 2003 e que trilhou um caminho diferente no que diz respeito à divulgação. A banda legitimou-se através do “boca-a-boca”, ou seja, não tinha uma estratégia de divulgação oficial partida de sua produção, os espectadores de seus shows que acabaram por legitimar e consolidar a banda no cenário artístico brasileiro. Outra novidade apresentada por esse grupo foi o intenso aproveitamento da internet, pois a banda faz questão até os dias atuais de disponibilizar cópias gratuitas de seu trabalho na rede. O fato pode ser considerado uma grande inovação, pois no ano de 2003 não era comum, como na atualidade, um artista fazer uso extremo da internet como meio de divulgação.
A proposta do autor de analisar formas alternativas encontradas pelos novos artistas para obter visibilidade é bastante pertinente, visto que notamos a tendência de grandes gravadoras em priorizar e investir na divulgação de artistas já consolidados no mercado, restando aos “pequenos artistas” a tarefa de se autodivulgar para conseguir sua legitimação, e quem sabe, um contrato com as chamadas majors. O autor inclusive cita essa tendência de prioridade na divulgação de grandes artistas como um dos fatores da crise na indústria musical, devido à disponibilização de grandes quantias em dinheiro para que esse trabalho de divulgação seja realizado com êxito.
O autor, ao citar que a banda Mombojó utilizou-se não só das novas tecnologias, mas também de tentativas tradicionais de legitimação, denomina isso como a “complementaridade entre mídias tradicionais e eletrônicas”, o que simplifica bastante o entendimento do texto para pessoas que não estudiosas da área da Comunicação e nem da Cultura.
Kischinhevsky mostra uma idéia inovadora ao mostrar, com o caso do Mombojó, que a Comunicação torna possível a diversidade na produção musical, pois os limites territoriais de produções regionais são vencidos pela interatividade e pela grande e livre circulação de trabalhos.
Por outro lado, Kischinhevsky torna o artigo algumas vezes redundante, pois o texto cita constantemente a importância das novas tecnologias na divulgação da produção musical e como os downloads propiciam prejuízos na visão das gravadoras e acessibilidade para os artistas.
O segundo artigo, chamado Indústria da música: uma crise anunciada é escrito pelo mesmo autor do artigo anterior, em parceria com o pesquisador Micael Herschmann e os autores iniciam o texto justificando o mesmo com o fato de não existir no Brasil muitos trabalhos que falem a respeito da indústria musical.
O propósito do texto é analisar a situação da Indústria Musical pela perspectiva da comunicação e da economia da cultura, porém essa proposta vai muito mais para o lado da economia e não da Comunicação, pois é possível notar no artigo uma linguagem muito mais técnica e um conteúdo muito baseado em dados estatísticos da área de economia da cultura, o que torna a leitura densa e, às vezes, confusa.
Também é possível notar que o texto mostra uma postura pessimista com relação ao advento da tecnologia como meio de comunicação e divulgação de artistas, com a idéia central de que a industria fonográfica irá se afundar por causa da tecnologia. Essa é uma visão extremista da situação, mas também é interessante notar que um dos autores do artigo se trata do mesmo autor do artigo anterior que tem uma visão positiva da tecnologia aliada à divulgação cultural.
Uma importante afirmação do artigo é que essas mudanças que estão ocorrendo na indústria fonográfica impactam diretamente sobre a produção cultural e a indústria, pois ao mesmo tempo em que há artistas que se promovem e conseguem legitimidade graças à disponibilização de seus trabalhos na Internet, a indústria busca fórmulas para conseguir lucrar na rede, tentando entrar em novos nichos de mercado, como a venda de faixas avulsas de CDs e de ringtones para celular. Nessas afirmações, é importante ressaltar que um trabalho de Relações Públicas seria totalmente justificável e útil, pois um profissional da área poderia gerenciar o uso desses novos nichos mercadológicos.
Os autores relatam que a indústria fonográfica está atuando junto às autoridades – ou seja, realizando lobby – para incentivar, entre outras sugestões, a criação de campanhas de conscientização de consumidores, visando a diminuição de downloads ilegais. Podemos notar - como na questão anteriormente levantada sobre novos nichos de mercado - que a atividade de Relações Públicas também poderia ser utilizada nesta questão, tanto na elaboração de um plano de lobby quanto na criação de campanhas massivas (e não restritas, como ocorre atualmente) de conscientização em relação aos downloads ilegais e as conseqüências que isso traz para os artistas e para a indústria.
Comparando os dois artigos, podemos notar que os dois textos usam o cantor Lobão como exemplo para defender os meios independentes de divulgação musical. O cantor citado inovou em uma estratégia de divulgação lucrativa tanto na parte financeira dos artistas quanto na acessibilidade dos públicos, ao lançar a revista Outra Coisa em 2003. A revista sempre traz um CD inédito encartado em sua edição, ao preço simbólico de R$11,90, ou seja, um terço do preço normalmente cobrado por um CD nas lojas. Notamos uma possibilidade de ganho tanto para o artista, que tem um ganho maior devido a menor cobrança de impostos quando o CD é vendido em bancas de jornais, e para o público, que tem acesso a lançamentos de qualidade com preços baixos.
Outra questão em comum é a possibilidade levantada pelos autores de se produzir um disco independente das gravadoras. Publicando um CD junto a uma revista, o artista se liberta dos valores abusivos das gravadoras e de produtores, e ambos os autores colocam esta como uma alternativa para se obter grande visibilidade, venda de discos a preços acessíveis e atingir maior número de público.
Por fim, os dois textos comentam que as novas tecnologias são aliadas de quem pretende divulgar seu trabalho no ramo da música. A diferença é que Kischinhevsky, no primeiro artigo, possui uma visão positiva em relação à tecnologia e o desenvolvimento musical, já no segundo artigo o mesmo autor juntamente com Herschmann defendem com negativismo esta parceria, e declaram a tecnologia como vilã da pirataria e como uma das responsáveis pela crise na indústria fonográfica.



Por Nayane Bragança