quarta-feira, 28 de abril de 2010

Na minha época, as coisas eram tão diferentes...

“Na minha época, as coisas eram tão diferentes”. Frase de gente velha, né? É, pode parecer. Mas eu explico, pois descobri o significado dessa expressão. Quem me conhece sabe que sou extremamente ligada em música. E já faz muito tempo que sou assim.

Já repararam que as “modinhas” de cada estação são ligadas a música? Na minha época de adolescente, também era assim. Quando eu tinha 12 anos, surgiu a moda das boys bands: Five, NSync e as estrelas maiores: os Backstreet Boys. Também surgiram duas cantoras do estilo “quero ser Madonna”: Christina Aguilera e Britney Spears. Esses eram os “sucessos do momento” da época. E é a partir disso que digo, com certeza: na minha época, as coisas eram tão diferentes!
Todos esses artistas vieram de um lugar comum, reviveram modas do passado. Boys bands não eram exatamente uma novidade: o boom desse fenômeno deu-se nas décadas de 80 e 90, com Menudo e Take That. Quanto às cantoras, elas tentavam imitar o maior mito feminino da história do pop: Madonna.

Eram cópias baratas? Com certeza! Eram músicas pré-fabricadas? Sim, é claro. Eram “enlatados”? Sim! Porém, comparem esses artistas com as “modinhas” atuais. Pensem em Calypso, pensem no MC Creu e seus assemelhados, pensem nos grupinhos de pagode que se multiplicam por aí, pensem no Rebolation, pensem na Ivete e na Claudia Leitte. Pensem nos atuais representantes do pop: Wanessa (ex-Camargo), Hori, Strike, Avril Lavigne (ok, ela não é tão atual assim), emos em geral, sertanejos universitários e etceteras. O que há em comum entre as atuais modinhas e os artistas modinhas do passado? São todos artistas sem qualidade, são enlatados, são a cópia-da cópia-da cópia. São modinhas passageiras, que vão cair na vala comum após algum tempo.

E a diferença? Há diferença entre todos eles? Sim. A diferença é que as boy bands e as pseudo-cantorinhas-pop tinham mais preocupação em criar elementos de qualidade. Tinham a preocupação com a performance. Alguém aí vai negar que as coreografias dos Backstreet Boys eram muito bem elaboradas? Ok, não eram elaboradas por eles, mas eles tinham uma equipe de produção muito competente por trás dos trabalhos. Alguém aí vai dizer que as músicas não soavam bem aos ouvidos – apesar de não terem qualidade?

E tem outro ponto a favor desses pseudo-ídolos pop: eu e milhares de meninas brasileiras, loucas pelas boy bands e pelas cantorinhas pop, traduzíamos as letras das músicas, na ânsia de saber o que os ídolos falavam. E na época não era só entrar na internet e puxar a tradução no Google, pois poucos tinham acesso à rede. As traduções eram feitas com o auxílio do DICIONÁRIO DE INGLÊS! Muitas noites passei em claro fazendo traduções de músicas! Bons tempos em que não havia Google Translate. Já fiz curso de inglês (embora não seja fluente no idioma), mas TODO o meu vocabulário de inglês vem dessa época! Artistas “’inúteis” e comuns, mas que proporcionaram conhecimento e diversão para muita gente. Não nego que fui muito fã desses artistas todos. E se ouço algo deles hoje, não acho ruim. Sei que não tem qualidade, e sabia desde os 12 anos que eles eram os artistas da moda e que cedo ou tarde sumiriam, mas essas músicas não soam ruins aos meus ouvidos.

Agora, vamos conversar sobre a nossa atualidade. Alguém vê “preocupação na performance” nas coreografias dos funks e Rebolations? É só balançar a bundinha e tá feita a história. Os pagodes, funks e outras modinhas soam bem no ouvido de pessoas que ENTENDEM de música? Com certeza não. Gostar disso tudo proporciona algum tipo de conhecimento? Além de aprender a rebolar, pagodear e memorizar letras como “no rebolation-tion-tion”, definitivamente não.
Os adolescentes da minha época gostavam de Britney Spears, Christina Aguilera,Backstreet Boys, Five, NSync, Hanson e Spice Girls. E os de hoje? Gostam de Fresno, Parangolé, Sorriso Maroto, Creu, Perlla, Calypso. Na minha época era tão diferente! Era. E era melhor. Mesmo nos artistas da “vala comum”, percebia-se uma preocupação com a produção. Hoje, principalmente no Brasil, qualquer resmungo vira sucesso. Não há preocupação com nada, pois todos sabem que os jovens são alienados e aceitarão qualquer porcaria que aparecer nas paradas de sucesso. Bons tempos que o mau gosto dos jovens era o pop enlatado. As paradas de sucesso encaminham-se para a mesmice e a - cada vez maior - falta de qualidade.

Ah... e bons tempos em que a expressão “modinha” era usada para designar as músicas de uma das melhores compositoras do Brasil: Chiquinha Gonzaga. Mas aí já é outra época e outros gostos.

Um comentário:

Lu disse...

Pois é, na época que eu tinha essa idade me sentia excluída no colégio, pq todas as minhas colegas eram fãs de Backstreet Boys e eu fingia que gostava pra não ficar de fora, mas na fita k7 do meu walkman só tinha Legião Urbana. Então tu pode imaginar que me sinto ainda mais velha, pq eu já me sentia quando eu tava nessa fase aí.
Essa questão de música é mais séria do que se pensa, pq influencia muito o comportamento dos jovens. Essas "boy bands" que existiam pelo menos não eram tão apelativas como o que se tem hoje. Não se fazia tanta apologia ao homosexualismo como se vê. Pois os adolescentes confundem não ter preconceito com dever fazer igual. E o que não estimula a tratar o corpo como um objeto para ser exposto e usado como se isso nada interferisse no psicológico da pessoa, tem estimulado a ser diferente de qualquer forma. Nossa geração aprendeu que não deveria ter preconceito com os homossexuais. Já a geração de agora está aprendendo a ter preconceito com quem é hetero. Será que a próxima geração chegará a um meio termo mais ameno e consciente?
E o que será que vão ouvir???

Não quero parecer chata e moralista, mas como "adolescemos" em épocas parecidas, sei que tu vais entender...

Um abraço!